quinta-feira, março 09, 2006

O avô Adriano

Alentejano de gema de Ferreira do Alentejo, de careca branquinha por estar tapada com o seu boné, de olhos verdes e com um sorriso maroto, assim era o Avô Adriano. Com o seu pequeno canivete raspava com afinco o seco queijo de cabra e respondia com resmunguisse "O qué que tem a ver com isso?" quando não lhe agradava a pergunta ao Sôr Adriano.
É assim que recordo do nosso velhote.
Andava com rapidez e com o tronco ligueiramente inclinado para a frente, depois de ter partido um pé no dia de Natal. Estava tão bonito nesse dia! Com o seu fato de cerimónia, pois fazia questão de estar à altura de um dia tão especial. Com uma frieza, que só ele era capaz, endireitou e colocou o seu pé torcido no lugar certo. Lá fomos nós para o hostipal. Mas apesar da sua idade, recuperou, mas de vez em quando lá ia com a cabeça ao chão.
Aquela cabeça tinha visto mais vezes o chão de perto que muitos pés!!!! :-)
Depois de uns anos de dedicação à pinga, com uma determinação invulgar, deixou de vez o vicio. De louvar que depois disso foi trabalhar para a taberna do bairro, sem chegar com o copo de vinho à boca. Foram algumas as vezes que o via na rua a cambalear com a cabeça "rachada", lá ia ele direitinho para a cama a curtir a buba. Nunca foi violento, ao contrário de muitos outros casos.
Depois de sair de perto dele, passei a fazer as visitas durante as férias de verão. Era com muito prazer que depois de jantar ia ao café e presenteava-nos com um corneto.
Apenas ficava danado connosco quando a Avó se zangava porque ficavamos até tarde na borga. De resto não fazia mal a uma mosca.
O seu outro vicio, e esse nunca o largou eram... os jornais!!! Um de manha, outro à tarde, fora os semanais e mensais! Enfim gostava de ler e se manter informado.
Subia as ingremes ladeiras de Alcácer quase sempre carregado, ora com fruta, ora com legumes. E várias vezes ao dia. Sempre a pé, nunca chegou a tirar a carta...

4 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

O nosso velhote era lindo, doce, e de uma meigice unica o carinho e a preocupação com todos era impressionante. E nunca, mas nunca se queixava, podia estar cheio de dores, mas fica quietinho e caladinho.
Depois de deixar a bebida, adquiriu de imediato um vicio a substituir , os bolsos carregados de rebuçados. A sua careca era única e passava os dias a coça-la e nos a ralhar. A sua presença sera eterna, foi realmente a nossa 1ª perda, e é com muita saudade que me lembro dele. O natal esse jamais seá o mesmo falta-nos a arvoré de natal repleta de bonecos de chocolate, o qual só tinhamos direito a roubar um por dia e sobe a sua vigia. Um beijo muito grande neta Sónia

11:11 a.m.  
Anonymous Anónimo disse...

tenho muitas saudades tuas avô...

4:28 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

fazia tudo pelos netos...lembro-me das melancias enormes,que ele carregava para o Zè e p a Flor que as devoravam num instante...eram kilos de melancia...em dias de tanto calor..meu deus...a subir as ledeiras...tudo pelos netos.

Todas as noites ia comprar os nossos cornetos....todas...

De manhã quando acordavamos tinhamos os nossos bolinhos fresquinhos à espera...os famosos caracóis.

Sempre pronto para nos aturar....e se nos aturou...mtas dores de cabeça lhe demos (as netas)...as noitadas, chegadas fora de horas...ui...mas no dia a seguir era como se nada fosse...

Fazia tudo pela familia...

Foste o melhor avô de mundo...

4:40 p.m.  
Anonymous Anónimo disse...

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8:49 p.m.  

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